Thierry Roge/Reuters
Quase metade (45 por cento) dos patrões consulta os perfis dos seus potenciais empregados nas redes sociais antes de tomar uma decisão. É o que diz um artigo no jornal “Expresso” que revela ainda que 35 por cento dos empregadores admite já ter recusado emprego a indivíduos cujos dados publicados nos seus perfis não estavam de acordo com o esperado. O que mais assusta um chefe? Fotografias desapropriadas; uso de drogas ou álcool; opiniões depreciativas do emprego anterior, colegas ou clientes; capacidade comunicativa deficitária; comentários abusivos, discriminatórios ou desrespeitadores; qualificações académicas falsas e fugas de informação nos empregos anteriores.
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Facebook, MySpace 5 Hi5 são as redes sociais que mais vítimas fazem. Que o digam por exemplo Chris Dreyfus e Kimberly Swan. Chris é um inspector da Polícia de Transportes britânica, a quem foi negado o posto de capitão na polícia de Bedfordshire, depois de uma repreensão originada pelo facto do inspector ter publicado alguns pormenores sobre o seu modo de vida gay. O Facebook contou tudo. A “aborrecida” Kimberly Swan foi outra das suas vítimas. A jovem inglesa publicou comentários pouco abonatórios à sua vida profissional logo que foi contratada. “Primeiro dia de trabalho. Ó meu Deus, tão chato”, foi a primeira publicação, que somada a “estou tão aborrecida” resultou no seu despedimento poucas semanas depois. As razões que levaram à cessação dos serviços não foi, sequer, escondida. Uma carta em mão informou-a. “No seguimento dos seus comentários feitos no Facebook acerca do seu trabalho e da empresa, pensamos ser melhor, visto que não está feliz com a sua situação e o seu trabalho, terminar o seu contrato com efeito imediato.”
Diz um adágio popular que Portugal é um país de brandos costumes e, portanto, as resoluções não têm tomado um carácter tão definitivo. Ainda assim, a agricultura virtual não é tolerada em Coimbra. FarmVille é o nome de uma das aplicações mais populares do Facebook e que consiste na gestão virtual de uma quinta... virtual, mas que, assim parece, dá realmente muito trabalho.
A internet está em todo o lado... até no trabalho!
O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Carlos Encarnação, impediu recentemente a utilização do FarmVille por parte dos funcionários camarários. A ideia é a de que a eficiência do serviço público conimbricense não pode ser afectado por um sistema de rega deficitário ou a ordenha repetitiva do gado. A decisão do edil não caiu do céu, uma vez que surgiu depois de uma funcionária ter sido vista a jogar FarmVille durante o seu horário de trabalho. Os números atestam o poder deste tipo de aplicações a vários níveis. Só no ano passado, os jogos do Facebook geraram receitas na ordem dos 370 milhões de euros e o FarmVille conta já com mais de 80 milhões de fãs, o que cilindra os 11 milhões de utilizadores do “Worl of Warcraft”, simplesmente o maior jogo online do mundo para múltiplos utilizadores.
E então para quem achar que pode estar a ficar viciado, já abriu em Londres a primeira clínica de reabilitação para dependentes da Internet, de telemóveis e jogos de computador. O responsável pelo programa de reabilitação garante que o “tratamento dura 28 dias e destina-se sobretudo a jovens dependentes em jogos de computador on-line e em redes sociais”.
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As más utilizações são recorrentes. E o adjectivo não foi escolhido casualmente. Más. Por que as redes sociais não são, por si só, profissionalmente prejudiciais. Podem até ser bem vantajosas. Atente-se as mais-valias profissionais que advêm de uma utilização cuidada das redes sociais. É que os mesmos patrões que palmilham perfis para “caçar”, também podem querer “pescar”. Pode sempre divulgar um Curriculum Vitae actualizado, reencontrar antigos contactos e amigos, esteja permanentemente atento porque nunca se sabe as novas oportunidades de emprego que daí poderão surgir.Aprenda primeiro quais são os seus limites, uma vez que os das redes sociais ainda estão para ser encontrados. Profissionalmente, não abra as portas da sua empresa com um simples punhado de cliks. Pessoalmente, não abra as portas da sua vida à sua empresa. As redes sociais estão cada vez melhor preparadas para fazer face à curiosidade de terceiros e, desta forma, restringir o acesso de desconhecidos aos seus dados. Seja público, mas não tanto.
